Mostrando postagens com marcador outros sistemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador outros sistemas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

algum RPG de super heróis

Uma vez eu joguei um RPG de super heróis e... eu não lembro qual era. Acho que não era o GURPS Supers, mas pode ter sido Mutantes e Malfeitores. Mas como foi uma noite só, e há mais de 20 anos, eu realmente não sei dizer.

Um amigo meu me convidou pra ir jogar de madrugada na casa de um pessoal. Eu aceitei. Chegando lá, eu vi o pânico na cara do narrador. Eu acredito que um dos jogadores do grupo deve ter convidado meu amigo, sem avisar o narrador, e o meu amigo me convidou, sem avisar o jogador que convidou ele. Ao invés de 4 jogadores, o narrador subitamente tinha 6! Enfim, eu morri de constrangimento e jurei pra mim mesmo nunca mais aceitar um convite sem ter certeza de que o narrador estivesse ciente.

Levou metade da madrugada pro pessoal ensinar pra mim e pro meu amigo o básico do sistema e fazer a ficha. Momentos engraçados:

🔸Na criação de personagem, o jogador que tava me ajudando me perguntou: "qual vai ser teu poder?" Telepatia e telecinese. "Ok, como tu ganhou os poderes?" Eu vou ser mutante. "Se passa nos Estados Unidos, tu vai ser americano?" Não, eu vou ser.... mmm... mexicano. "Porra, Bruno! Tu quer ser fudido mesmo né? Telepata, mutante e mexicano? Só falta tu ser negro, homossexual e judeu! Tu vai ser a porra do Homem-Minoria!" Eu topei. Meu telepata-mutante-mexicano-negro-gay-judeu não usava uniforme porque era um super herói que não gostava desse lance super heróico mas a camiseta tinha um "M" no peito. A característica de comportamento era: ele tinha a tendência de sempre defender quem estava em minoria.

🔸Piada recorrente: o mesmo jogador (baita dum zueiro) que tava me ensinando a fazer a ficha disse que "telepata não presta pra nada porque no início de qualquer gibi o telepata diz 'AAAI MINHA CABEÇA'  e cai desmaiado e só levanta na cena final, quando todos os outros personagens com poderes úteis já resolveram tudo". E o personagem dele, o que era? Superforte. E o que todo personagem superforte faz? eu perguntei. Ele repondeu: "todo personagem superforte é assim: 'EU BATO NELE'". Então durante a sessão, cada vez que o narrador perguntava: "é a tua vez, o que tu faz?" Eu respondia AAAI MINHA CABEÇA, e me jogava desmaiado na mesa. E o superforte dava um soco na mesa e respondia "EU BATO NELE". 

🔸O jogo em si: a gente começou a jogar lá pelas 3 da madruga, quase não deu tempo de fazer nada. Na sessão anterior da crônica deles, os personagens estavam em dois grupos separados, com o objetivo de entrar numa Instalação Secreta. Os novatos, eu e o meu amigo, entramos cada um em um dos grupos. Na Instalação Secreta tinha uma Máquina Enorme Cheia de Raios, e a gente sabia que ela ia fazer Uma Coisa Muito Ruim. O objetivo dos dois grupos era desativar a Máquina Enorme Cheia de Raios e impedir Uma Coisa Muito Ruim de acontecer. Mas, como acontece em TODOS os gibis de super heróis... os personagens de ambos os grupos de desentenderam, e começaram a se espancar. Cada grupo concluiu que o grupo oposto era o responsável pela Máquina Enorme Cheia de Raios e a violência escalonou de tal forma que não dava mais pra tentar um diálogo. Eu olhei pra cara do narrador e ele tava apavorado, suando, porque provavelmente essa era apenas a porra da primeira cena, ele tinha preparado a semana toda muito mais conteúdo e o sol iria nascer e a gente não teria saído da porra da primeira cena. Aí eu decidi parar de lutar e disse assim: narrador, eu vou me esconder atrás dos computadores, vou me esgueirar até o painel da Máquina Enorme Cheia de Raios, apertar o Enorme Botão Vermelho e desligar o treco, porque... essa é a porra da primeira cena e a gente tem que passar pra segunda cena antes das 5 da manhã! O narrador sorriu um sorriso desesperado e gritou: "SIM SIM ISSO SIM!". Enfim, os personagens pararam de lutar, e conversaram e descobriram que ambos os grupos estavam do mesmo lado. A gente foi pra segunda cena, jogou mais um pouco, mas eu nem lembro mais o que aconteceu.

Fim.


quarta-feira, 23 de março de 2022

one-shots

Jogar essas one-shots (ou às vezes two-shots) com esses sistemas novos (que não são Storyteller nem D&D) foram experiências bem legais. Os narradores explicavam as regras em 20 minutos (os sistemas contemporâneos tem regras simplificadas, como eu já falei). E a gente fazia personagens em uns 10 minutos. O resultado é que a relação jogador/personagem fica diferente. A gente não tem tanto apego ao boneco, experimenta mais na criação, e ousa mais na hora de jogar com eles. E as vezes a história acaba com a gente morto.🤭

Mas também é gostoso jogar crônicas do jeito tradicional, como aquela que durou três anos. A gente lave 1 semana pra fazer o char, ele fica mais complexo, a gente se apega mais, faz de tudo pra ele não morrer, etc etc.

ABISMO INFINITO 2/2 - Ramirez

Desde que Ramirez despertou da hibernação criogênica ele tem tido sonhos repetidos com o marido e a irmã. No final do sonho eles sempre acabam com alguma parte do corpo coberta por ouro líquido, que vai vagarosamente se espalhando.

Quando os três personagens dos jogadores despertam, descobrem que todas as outras cápsulas criogênicas pifaram, ocasionando a morte de todos os outros tripulantes. Mas a coisa mais estranha encontrada é: o falecido capitão... era um andróide! E de um modelo ainda mais perfeito que os andróides normais. Só um profundo scan revelou a diferença. O personagem engenheiro decide então dissecar as peças do ser artificial, visando descobrir algo sobre esse mistério. Às vezes, quando tirava alguma peça, o corpo robótico se movia levemente: um dedo tremia, uma perna tinha um espasmo.

Os três personagens eventualmente aterrisam no planeta e encontram uma pirâmide de pedra, coberta de escritos de um alfabeto estranho. Ali vivem humanos primitivos cultuando um deus ausente, entre estatuetas cobertas de ouro, e um altar que expõe uma estrutura tecnorgânica em formato ovóide. A teoria da colonização alienígena estava correta! E aparentemente a estrutura afeta mentalmente quem está ao seu redor, incluindo os aldeões e até mesmo os personagens dos jogadores.

Os personagens discutem muito sobre o que fazer, e acabam decidindo trazer a coisa ovóide para a nave. Ramirez acha perigoso, mas ele precisa do dinheiro da missão para assegurar o sustento de sua família. Mas ele tem um plano: enviar uma mensagem de aviso para a Terra, para isolar a nave antes que ela entre em órbita do planeta. Assim o artefato pode ser estudado a distância, mas sem contaminar a humanidade. Mas o engenheiro, que tinha assumido o comando na ausência do capitão, intercepta a mensagem e a apaga antes mesmo de ser enviada.

EPÍLOGO:
A nave está em completo silêncio. Os três tripulantes restantes estão nas câmaras de hibernação. O artefato alienígena toma controle do sistema da nave, desligando as três cápsulas e matando os personagens dos jogadores. O último sonho que Ramirez tem antes de seu coração parar é ver seu marido e sua irmã sendo completamente cobertos pelo ouro líquido, então se espalhando para todas as pessoas até cobrir a humanidade inteira. A nave ruma com destino à Terra. E, na enfermaria, o antigo comandante, morto, está com todas as suas vísceras espalhadas pela mesa de operação, sangue espalhado por todo o lado e até o chão.


O narrador ficou tão puto quando acabou a sessão. Ele dizia: "caralho, vocês não deviam ter deixado a humanidade morrer!" Mas foi tão divertido!
😈🤭 Quando a gente tava dissecando o comandante-andróide, a gente (jogadores, não personagens) já desconfiava que ele era orgânico e tava vivo e isso fazia parte da alucinação. Quando ele tinha espasmos foi absolutamente horripilante. E a gente continuou mesmo assim. 💀


Imagem 1: eu não sei
Imagem 2: hypersleep chamber
Imagem 3: USCSS Nostromo de Alien (1979), dir. Ridley Scott

<< post anterior


ABISMO INFINITO 1/2 - Ramirez


Abismo Infinito é um jogo genial criado pelo brasileiro John Bogéa. Ele também é autor dos igualmente geniais Terra Devastada (sobre zumbis) e Uma Cerveja Antes do Fim do Mundo (pra jogar bebendo cerveja num bar).

O Abismo Infinito tem elementos da literatura e do cinema, de horror e ficção científica. 

Os personagens acordam, depois da hibernação criogênica, numa nave prestes a chegar no seu destino: um planeta longínquo. O que eles vão encontrar lá? Um xenomorfo assassino? Um vírus? Um "deus astronauta"/arquiteto que colonizou a terra e criou a espécie humana? Uma entidade transdimensional tentacular vinda de um abismo além da compreensão cujo mero vislumbre a mente humana não é capaz de suportar? 

E, além disso, os personagens tem que lidar com coisas menos extraterrenas como: os desígnios da Iniciativa Cronos que enviou a nave; as relações pessoais entre os tripulantes; a interação com os andróides e a inteligência artificial da nave; e uma possível doença mental causada por falhas nas capsulas criogênicas. Nem tudo o que os personagens estão experimentando pode ser real.

Escolhi um personagem Criptólogo chamado Ramirez, que pesquisa sobre culturas e alfabetos de civilizações antigas, tentando provar teorias de colonização alienígena. Ele tem um esposo cientista e uma irmã, que ficaram na Terra. Seu objetivo é, com o dinheiro recebido quando voltar da missão, comprar uma casa para os três viverem juntos.


Imagem 1: Wilson Cruz como Dr. Culber em Star Trek Discovery
Imagem 2: capa de Abismo Infinito

---
 
EDIT: Recentemente, fiz uma versão do Ramirez no Heroforge:
 

próximo post >>

sexta-feira, 18 de março de 2022

ESSE CORPO MORTAL 2/2 - Julia

🔶 OS PERSONAGENS: Na hora de construir os personagens a gente pode atribuir poderes. Pra cada poder, o Moderador coloca um "porém". Eu decidi que meu personagem seria um andróide. Ele tinha sido um policial, morto em ação, e suas células cerebrais foram usadas pela Corporação para construir um andróide super-policial perfeito. Ele em princípio não tinha mais emoções, e mantinha algumas memórias da sua vida orgânica (sim, ele era totalmente um Robocop misturado com a Major (e eu adoro RPG porque eu posso misturar qualquer coisa sem problema de copyrights)). Ele era negro, tinha cabelo azul (eu estipulei que cabelo azul era totalmente normal nesse futuro) e se chamava Julia (também estipulei que um homem se chamar Julia não era incomum). A única coisa estranha nele são os sulcos lineares e geométricos que tinha na pele, deixando claro que ele era artificial.

Mas, até aí, mesmo sendo andróide, ele não tinha nenhum poder. Eu decidi por força & resistência e o moderador inseriu um "porém": ele tem que esperar recarregar uma cena antes de usar de novo. Durante a história eu gastei outros dos papeizinhos e adicionei um segundo poder: visão infravermelha, e o narrador colocou seu "porém": ele não pode fazer outra ação enquanto usa a infravisão.

 
🔶 O JOGO: A experiênciado jogo foi uma DELÍCIA. Tenho poucas memórias objetivas e mais memórias sensoriais e emocionais. O medo constante de ser descoberto pela Corporação, a sensação de o pressão e impotência. Lembro de entrar na delegacia pra salvar um rebelde que tinha sido preso injustamente, mas ele pediu pra eu matar ele, porque o objetivo dele era ser um mártir. Do CEO da Corporação dizendo que confiava em mim (nessa altura eu já estava 110% do lado dos rebeldes). De entrar em apartamentos quase desmoronando onde morava a população pobre. De pessoas que escolhiam alterar o corpo para se parecerem mais inumanas. De ter que burlar as câmeras de vigilância pra poder sair da Cidade e ir pras Ruínas das Missões, o único lugar que a Corporação não podia nos monitorar. De receber ajuda relutante dos párias, de descobrir que eles ainda mantinham algumas tradições indígenas. De fugir dos pelotões da Corporação entre as ruínas na escuridão da noite. De bolar um plano pra hackear a IA da Corporação.
 
O final foi... um tanto decepcionante. E preciso dizer que foi por culpa de nós jogadores mesmo, não do Moderador. A gente podia ter ousado, arriscado mais e criado uma cena onde iríamos sei lá invadir, hackear ou explodir em grande estilo a sede da Corporação. Ou... morrer, se as jogadas com os papeizinhos dessem errado (a gente tava com a faca e o queijo na mão, esse jogo especificamente fornece ferramentas pra gente moldar a narrativa). Mas nós agimos com muito medo e a cena final ficou sem graça (tão sem graça que nem lembro). Lembra que eu falei aqui de uma crônica onde a gente perdeu e ainda assim foi memorável? Pois é, agora esse é um exemplo de uma conclusão não-memorável.
 
Então... a Corporação não foi atingida e continuou explorando as pessoas. O Moderador nos pediu então um epílogo pra cada um dos nosso personagens e eu escolhi que Julia foi se tornando cada vez mais alheio ao mundo, até que finalmente se desconectou de seu corpo, se tornando uma IA. Mergulhou na Rede e de lá observava a humanidade, sem interagir.


Imagem 1:
eu também não sei
Imagem 2:
cena de Ghost in the Shell (1995), dir Mamoru Oshii

ESSE CORPO MORTAL 1/2 - Julia

Esse Corpo Mortal é um jogo um pouco diferente dos RPGs que a gente tá acostumado, ele é uma narrativa compartilhada, tanto é que o narrador... não se chama assim, aqui ele é o Moderador. Não vou entrar nos pormenores das regras, vou apenas dar um panorama geral.

🔶 OS PAPEIZINHOS: No Esse Corpo Mortal não se usa dados. A gente ganha uns papeizinhos com uns desenhinhos neles (desenhos diferentes com funções diferentes). Isso por que o nosso Moderador imprimiu esses papeizinhos. Se a gente tivesse fichas de plástico coloridas, seriam fichinhas de plasticozinhos coloridinhas, ok? A gente então usa esses papeizinhos pra: criar cenas, entrar na cena dos outros, fazer ações, inventar superpoderes, inserir elementos na história. Mas os papeizinhos são limitados, alguns a gente usa e ganha de volta, outros não voltam mais. Então a gente tem que pensar MUITO BEM antes de usar.

Eu também tinha falado que era uma narrativa compartilhada, né? E que o narrador se chamava Moderador, né? Então às vezes o Moderador começava uma cena: "vocês estão na delegacia de polícia e...". Às vezes um dos jogadores gastava um papelzinho pra começar uma cena: "eu vou no apê do suspeito pra interrogar ele". E os outros jogadores também podem gastar seus papeizinhos e entrar na cena criada pelo colega: "eu chego na porta da casa do suspeito pra tentar te impedir de esmurrar a cara dele". O resultado é que a história fica tipo um filme ou série onde todos são roteiristas, se alternando e se inserindo no roteiro do outro (ajudando e/ou atrapalhando os objetivos dos coleguinhas). E o resultado é ainda mais imprevisível do que a gente tá acostumado. O narr... digo, Moderador não tem como bolar um plano muito rígido.

Pra resolver as ações (tipo na na hora de dar um soco ou usar um poder) a gente aposta escondido quantos papeizinhos (e não dados) a gente vai investir na jogada. Depois revela, faz as contas e descobre quem ganhou.

🔶 O MUNDO: O sistema lida com magia. Nós decidimos que a nossa história seria de ficção científica, logo nossa magia virou tecnologia. Também em conjunto fomos construindo o mundo: um Brasil cyberpunk e pós apocalíptico. Porto Alegre e São Paulo se conurbaram numa gigantesca cidade. O pampa e região das Missões se tornaram um deserto, devido a algum cataclisma indefinido. Quem era rico podia pagar por implantes cibernéticos, quem era pobre usava peças mecânicas toscas improvisadas. E a Corporação controlava tudo.

No meio do jogo a gente ainda gastou mais uns papeizinhos pra adicionar outras coisas no mundo: nas ruínas dos Sete Povos das Missões viviam os párias que não se encaixavam nessa sociedade "perfeita".
 

Imagem 1: eu não sei
Imagem 2: capa do Esse Corpo Mortal
Imagem 3: cena de Akira (1988) dir. Katsuhiro Ôtomo
 
___
 
EDIT: Recentemente fiz uma versão do Julia no Heroforge:
 

segunda-feira, 14 de março de 2022

sobre sistemas

Se eu tivesse mais conhecimento e experiência sobre o assunto eu até escreveria um artigo sobre isso. Eu tenho percebido umas tendências nos sistemas de RPGs relacionadas às décadas que foram criados.

🔸D&D é um jogo dos anos 70, derivado de tabletop wargames, e nele há uma ênfase em regras de combate e as fichas são bem complexas. Outros jogos da época seguem esse paradigma. Outro exemplo: GURPS.

🔸Storyteller surgiu nos anos 90, é mais voltado pra interpretação do que para números e a ficha é mais simplificada. Outros jogos dessa época têm vibe semelhante. Outro exemplo: Castelo Falkenstein.

🔸Jogos como Abismo Infinito, Terra Devastada, Numenera, A Pilha (The Pool), Déloyal e Esse Corpo Mortal são todos pós-2000, e têm em comum fichas ainda mais reduzidas. Nem sequer têm uma lista de atributos, o jogador determina palavras ou frases que servem como habilidades.

Eu fui criado com os jogos dos anos 90 e tô amando de descobrir esses jogos pós-2000. É TÃO MAIS GOSTOSO jogar com um sistema simplificado. Dá mais espaço pra se dedicar pra interpretação, conflitos, cenário.

quinta-feira, 10 de março de 2022

DÉLOYAL 2/2 - Simone

Duas cenas ficaram na minha memória. Numa, Simone entra de penetra numa festa chique de uma socialite que não ia com a cara dela. O objetivo era cooptar artistas e intelectuais para o protesto da noite seguinte. Simone pula o muro do pátio e tem uma falha 💀. Eu achei que o narrador iria fazer ela quebrar um braço ou uma perna. Mas ele fez PIOR: O CASACO DELA RASGOU! E TODO MUNDO VIU! Simone se levantou, foi correndo até o lavabo, jogou fora o casaco rasgado e os óculos escuros, retocou a maquiagem, voltou para o quintal (as pessoas ainda estavam num alvoroço fofocando sobre a penetra) e disse: "O quê? Uma des-clas-si-fi-ca-da pulou o muro de penetra? E ainda rasgou o vestido? É o cúmulo!" #CrisisAverted 

A outra cena foi quando o grupo sequestrou e interrogou um dos agentes perseguidores. Ficou uma dúvida: o que fazer com ele? Ele tinha informação demais: a identidade dos guerrilheiros, o "aparelho" onde eles se escondiam. Enquanto os outros dois personagens ainda debatiam, Simone pega uma arma e executa o agente, com um tiro na testa. Naquela noite, deitada no sofá improvisado, ela tem um sonho: no momento em que ela puxa o gatilho, o agente balbucia o nome da sua amada. Ele poderia ter informação sobre seu paradeiro (se ela estava viva ou onde encontrar o corpo). Mas já é tarde demais, e a bala, em câmera lenta, penetra seu crânio. Simone acorda, assustada.

Ah, vocês querem saber se vencemos? Pelo que me lembro, fomos bem sucedidos em algumas da etapas preliminares, mas não em todas (o protesto que serviria de distração saiu meia-boca). Conseguimos recuperar a maior parte dos quadros e sequestramos o figurão. Como não foi um sucesso total, as consequências foram de medianas a boas: nossa ação desestabilizou, mas não depôs o governo ditatorial.


🔶 Sites da galera brasileira e independente que criou e publica e vende Déloyal: aqui e aqui 🔶


Imagem: capa do Déloyal.


 << post anterior

DÉLOYAL 1/2 - Simone

Déloyal é um jogo bem diferente e maravilhoso, criado por brasileiros. A gente joga fazendo parte de uma Resistência contra uma força opressora. E o grupo pode construir o cenário!

A gente decidiu em conjunto que a história se passaria num país fictício, numa época equivalente aos anos 70 (a gente jogou ouvindo Tropicália).

Esse país estava sob uma ditadura militar e um havia um departamento do governo responsável pela ordem política e social. Em outras palavras, eram os agentes torturadores.

Nossos personagens formavam uma célula revolucionária. Antes do golpe militar Simone era uma mecenas das artes plásticas, até que eles sequestraram sua namorada, uma cantora que fazia músicas de protesto. Ela nunca mais foi vista, com certeza foi torturada e morta. Simone tinha até hoje pesadelos com a cena da abdução. O único detalhe reconhecível no agente que levou sua amada foi uma cicatriz circular nas costas da mão. Agora, ela era uma guerrilheira.

O governo tinha recentemente declarado que a arte contemporânea era degenerada, e muitos quadros foram retirados do museu da cidade. Nosso objetivo era recuperar esses quadros do depósito e sequestrar um político importante que iria aparecer na noite de uma vernissagem. Para isso, nós precisaríamos de uma distração: um protesto na frente do museu. E para o protesto dar certo, precisaríamos convencer o diretório acadêmico e um grupo de anarquistas a nos ajudar.

Não vou entrar nos pormenores das regras, mas essas etapas do plano que eu acabei de descrever são parte do sistema de jogo. É necessário ser bem sucedido parcial ou totalmente nas etapas pra descobrir se, no final, os personagens vão conseguir ou não atingir o objetivo final.

Foi uma one-shot de espionagem, perseguições, troca de tiros, disfarçes, discussões ideológicas, sabotagem.


Imagem 1: capa da revista Canoe
Imagem 2: capa do LP tropicália (1968)
Imagem 3: capa do LP Caetano Veloso (1968)

---
 
Edit: Recentemente fiz uma versão da Simone no Heroforge:
 

próximo post >>

NUMENERA & THE POOL 2/2 - Khajiit

 

A história girava em torno de encontrar o motivo de que ninguém mais conseguia dormir num determinado vilarejo, as pessoas já estavam enlouquecendo.

Descobrimos que tinha, no deserto ao redor, uma fortaleza (instalação de pesquisa) abandonada com um artefato mágico (computador) quebrado que deveria falar com os Deuses (mandar mensagens pra um satélite), mas que estava se comunicando com os sonhos dos aldeões (interferindo nas ondas cerebrais).

O narrador me trollou pra caralho. Khajiit, o charmoso trambiqueiro, tinha que convencer uma tribo de pessoas do deserto a deixá-lo entrar no seu templo sagrado (a instalação de pesquisa abandonada), mas eles falavam uma língua desconhecida. O narrador me fez ficar de pé e fazer TODA A MÍMICA de me comunicar com o povo do deserto. Depois eu rolei os dados, falhei miseravelmente e o pobre do Khajiit foi espancado.

Mas, após uns dentes quebrados, o diálogo foi estabelecido, e Khajiit, o rei das gambiarras, conseguiu fazer que o artefato voltasse a comunicar com os Deuses (consertar o computador) e salvou da loucura tanto o povo da cidade quando o povo do deserto.



🔶 The Pool (A Pilha) tem de graça no Drivethrurpg.
🔶 Editora que vende Numenera no Brasil.
🔶 Site do Numenera lá fora. 





Imagem 1: capa do Numenera
Imagem 2: capa do The Pool

 

 << post anterior

NUMENERA & THE POOL 1/2 - Khajiit


Numenera tem um cenário maravilhoso. É um mundo que já passou por tantos apocalipses que não dá mais pra saber que ano é. A sociedade regrediu, as pessoas usam carroças. Mas pedaços de tecnologias sobreviveram: um motor de carro, um computador... ou até mesmo um teletransportador! E as pessoas desse mundo podem até encarar isso como magia! 

O narrador decidiu usar não o sistema de Numenera, mas o sistema A Pilha (The Pool). É um sistema deliciosamente simples (o livrim tem 8 páginas), onde a gente não tem uma baita ficha cheia de habilidades e atributos. A gente tem que colocar umas duas ou três frases. As minhas eram: "charmoso trambiqueiro", "rei das gambiarras" e "aprendeu a se virar nas ruas".

Com charmoso trambiqueiro ele podia tanto seduzir uma pessoa ("oi, docinho") quanto intimidar: "tá vendo aquele grandão ali? [aponta prum cara mal encarado que ele nunca viu na vida], ele é meu broder, se tu te meter comigo ele vai acabar contigo". Com aprendeu a se virar nas ruas ele podia tanto correr, pular um muro quando brigar (briga suja, jogar areia no olho, chutar o saco). Com rei das gambiarras, ele podia abrir um cadeado, um portão eletrônico ou fazer funcionar um computador alienígena.

Então, meu personagem se chamava Khajiit, era um charmoso trambiqueiro e rei das gambiarras que aprendeu a se virar nas ruas. Falava sobre si na terceira pessoa "a mercadoria de Khajiit tá rolando pelo penhasco!". E o visual foi inspirado no gostoso do Bodhi Rook.

Um diálogo da mesa (foi uma one-shot (ou talvez uma two-shots)):

- Khajiit precisava daquela mercadoria, Khajiit tem filhos pra alimentar...
- Vai te fudê ô Khajiit, tu não tem filho que eu sei!
- Mas... Khajiit poderia ter filhos! Khajiit tem que ir juntando dinheiro desde agora!



Imagens: Riz Ahmed como Bodhi Rook em Rogue One (2016), dir.Gareth Edwards.
 
---
 

EDIT: Uma versão do  Khajiit, no Heroforge:


 

quarta-feira, 9 de março de 2022

D&D, WoD/CoD e outros sistemas

Eu tenho que confessar que não consegui curtir D&D. 

Um pouco, talvez, por experiências ruins. Teve um narrador que encasquetou de colocar NPCs n*zistas se materializando da Terra direto de 1944 pro mundo de fantasia medieval e que queriam criar o terceiro r*ich lá (ou quarto, ou sei lá qual porra de número) e todos os NPCs soldados e nobres achando eles o máximo e só a gente, os PCs, reconhecendo eles como n*zis e tentando avisar todo mundo, sem sucesso. Sério, que ideia mais estúpida. Teve aquele que mudava as regras toda a sessão, teve outro que era grosso comigo porque eu não sabia que dependendo da cor de dragão, o bicho tinha um alcance de sopro diferente (como eu ia saber, cacête?). E mais recemente um jogador caótico neutro que resolveu interpretar evil e matar todo e qualquer NPC sem motivo nenhum.

Trauma? Maybe. Mas não sei se vou dar outra chance pro D&D tão cedo, porque definitivamente hack & slash não me dá tesão. Eu gosto do drama e dilemas [semi]humanos do Mundo das Trevas/Crônica das Trevas

Também curti os sistemas e cenários que eu conheci mais recentemente aqui em Porto Alegre: Abismo Infinito e Terra Devastada (do John Bogea), Numenera, A Pilha (The Pool), Déloyal, Esse Corpo Mortal, Rastro de Chtulhu. Vou ir falando deles aos poucos.

Mas, ainda assim, vou colocar aqui, começando com esse post uns personagens de D&D, por que eu curti ao menos criar eles.

👉 EDIT: esquece tudo o que eu disse, nesse post eu falo em como tô fazendo as pazes com o D&D. 👈