Se eu tivesse mais conhecimento e experiência sobre o assunto eu até escreveria um artigo sobre isso. Eu tenho percebido umas tendências nos sistemas de RPGs relacionadas às décadas que foram criados.
🔸D&D é um jogo dos anos 70, derivado de tabletop wargames, e nele há uma ênfase em regras de combate e as fichas são bem complexas. Outros jogos da época seguem esse paradigma. Outro exemplo: GURPS.
🔸Storyteller surgiu nos anos 90, é mais voltado pra interpretação do que para números e a ficha é mais simplificada. Outros jogos dessa época têm vibe semelhante. Outro exemplo: Castelo Falkenstein.
🔸Jogos como Abismo Infinito, Terra Devastada, Numenera, A Pilha (The Pool), Déloyal e Esse Corpo Mortal são todos pós-2000, e têm em comum fichas ainda mais reduzidas. Nem sequer têm uma lista de atributos, o jogador determina palavras ou frases que servem como habilidades.
Eu fui criado com os jogos dos anos 90 e tô amando de descobrir esses jogos pós-2000. É TÃO MAIS GOSTOSO jogar com um sistema simplificado. Dá mais espaço pra se dedicar pra interpretação, conflitos, cenário.
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segunda-feira, 14 de março de 2022
sobre sistemas
quinta-feira, 10 de março de 2022
NUMENERA & THE POOL 2/2 - Khajiit
A história girava em torno de encontrar o motivo de que ninguém mais conseguia dormir num determinado vilarejo, as pessoas já estavam enlouquecendo.
Descobrimos que tinha, no deserto ao redor, uma fortaleza (instalação de pesquisa) abandonada com um artefato mágico (computador) quebrado que deveria falar com os Deuses (mandar mensagens pra um satélite), mas que estava se comunicando com os sonhos dos aldeões (interferindo nas ondas cerebrais).
O narrador me trollou pra caralho. Khajiit, o charmoso trambiqueiro, tinha que convencer uma tribo de pessoas do deserto a deixá-lo entrar no seu templo sagrado (a instalação de pesquisa abandonada), mas eles falavam uma língua desconhecida. O narrador me fez ficar de pé e fazer TODA A MÍMICA de me comunicar com o povo do deserto. Depois eu rolei os dados, falhei miseravelmente e o pobre do Khajiit foi espancado.
Mas, após uns dentes quebrados, o diálogo foi estabelecido, e Khajiit, o rei das gambiarras, conseguiu fazer que o artefato voltasse a comunicar com os Deuses (consertar o computador) e salvou da loucura tanto o povo da cidade quando o povo do deserto.
🔶 The Pool (A Pilha) tem de graça no Drivethrurpg.
🔶 Editora que vende Numenera no Brasil.
🔶 Site do Numenera lá fora.
Imagem 1: capa do Numenera
Imagem 2: capa do The Pool
NUMENERA & THE POOL 1/2 - Khajiit
Numenera tem um cenário maravilhoso. É um mundo que já passou por tantos apocalipses que não dá mais pra saber que ano é. A sociedade regrediu, as pessoas usam carroças. Mas pedaços de tecnologias sobreviveram: um motor de carro, um computador... ou até mesmo um teletransportador! E as pessoas desse mundo podem até encarar isso como magia!
O narrador decidiu usar não o sistema de Numenera, mas o sistema A Pilha (The Pool). É um sistema deliciosamente simples (o livrim tem 8 páginas), onde a gente não tem uma baita ficha cheia de habilidades e atributos. A gente tem que colocar umas duas ou três frases. As minhas eram: "charmoso trambiqueiro", "rei das gambiarras" e "aprendeu a se virar nas ruas".
Com charmoso trambiqueiro ele podia tanto seduzir uma pessoa ("oi, docinho") quanto intimidar: "tá vendo aquele grandão ali? [aponta prum cara mal encarado que ele nunca viu na vida], ele é meu broder, se tu te meter comigo ele vai acabar contigo". Com aprendeu a se virar nas ruas ele podia tanto correr, pular um muro quando brigar (briga suja, jogar areia no olho, chutar o saco). Com rei das gambiarras, ele podia abrir um cadeado, um portão eletrônico ou fazer funcionar um computador alienígena.
Então, meu personagem se chamava Khajiit, era um charmoso trambiqueiro e rei das gambiarras que aprendeu a se virar nas ruas. Falava sobre si na terceira pessoa "a mercadoria de Khajiit tá rolando pelo penhasco!". E o visual foi inspirado no gostoso do Bodhi Rook.
Um diálogo da mesa (foi uma one-shot (ou talvez uma two-shots)):
- Khajiit precisava daquela mercadoria, Khajiit tem filhos pra alimentar...
- Vai te fudê ô Khajiit, tu não tem filho que eu sei!
- Mas... Khajiit poderia ter filhos! Khajiit tem que ir juntando dinheiro desde agora!
Imagens: Riz Ahmed como Bodhi Rook em Rogue One (2016), dir.Gareth Edwards.
Imagens: Riz Ahmed como Bodhi Rook em Rogue One (2016), dir.Gareth Edwards.
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EDIT: Uma versão do Khajiit, no Heroforge:
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