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segunda-feira, 10 de abril de 2023

balanço + futuras crônicas

Aprendi umas coisas com essa experiência de narrar [essas poucas sessões] dessa crônica de Mago.

🔸 Eu demorei uma tarde e uma noite de sábado e meia tarde de domingo explicando Mago pros jogadores. As facções da Guerra da Ascensão, As Tradições, As esferas, o Despertar, o Avatar, o básico do sistema, etc etc etc. Foi MUITO cansativo. Na próxima, se eu pegar jogadores iniciantes, eu vou explicar apenas o essencial, e o resto do aprendizado vai ser no jogo mesmo. Tipo... ao invés de levar um baita tempo pra explicar como é a Tecnocracia ou como são os Nefandi, ser mais econômico na explicação e deixar eles apanharem de um tecnocrata na mesa e verem um nefandus devorar os intestinos de uma criancinha. Show, don't tell.

🔸 No cenário da Segunda Edição ainda existe o Conselho. Isso é bom por um lado, porque os personagens dos jogadores vão ter alguém que coloque ordem na bagunça. Mas tem o lado ruim, porque isso pode viciar os personagens a pedir ajuda o tempo rodo. No cenário da Terceira Edição o Conselho foi destruído e muito provavelmente os personagens dos jogadores são os únicos magos residentes da cidade. O lado positivo é que os personagens vão ter que se virar sozinhos. Mas tem o lado ruim, talvez sem uma autoridade pode virar bagunça. Se da próxima vez eu pegar jogadores iniciantes estou pensando em usar o cenário da Terceira. Se algum personagem de jogador tentar ser arrogante ou violento com algum NPC ele pode ser espancado ou ter o braço decepado, aí ele vai aprender a ter noção na marra. Show, don't tell

🔸 Eu sugeri pros jogadores a colocarem arete 3 e no mínimo uma esfera em 3, pra eles terem o gostinho de fazer as mágika tudo. Na minha experiência como jogador adulto, as crônicas acabam cedo demais (alguém engravida, um muda de cidade, outro vai fazer mestrado, etc) e não dá tempo de começar com arete baixo, investir pontinhos e chegar num nível de arete decente (3 ou 4). Quando eu era adolescente, a gente jogava crônicas que duravam três anos! Mas nessa crônica que eu narrei nas cenas de pancadaria o pessoal tinha mil possibilidades e não sabiam o que fazer. Talvez na próxima eu possa limitar o máximo de arete 2 na criação de personagens. Porque com menos possibilidades na manga o jogador vai poder se focar em um ou dois efeitos e aprender a usar direito.

Mas sei lá, isso é o que eu tô pensando agora, até ter uma oportunidade de narrar de novo eu posso mudar de ideia mais umas 297 vezes.

 Ilustração da página 11 do livro M20 - Book of Secrets

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coisas que eu não vou admitir da próxima vez:

🔸Demora na entrega dos históricos. Sem todos os históricos na mão (impressos ou pdf) eu não começo a narrar. Aconteceu de 2 jogadores verbalizarem pra mim como eles queriam os personagens, ficaram legais. Foram 2 meses de férias, começou a mesa, jogamos uns 2 meses e eles não tinham entregue. Eu insisti... e eles me entregaram os históricos completamente diferentes do que eles verbalizaram quatro meses atrás. Óbvio né? Quem vai lembrar do que foi dito num bate papo casual quase meio ano antes?

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coisas que eu vou manter:

🔸Sem o arquétipo "monstro". Não narro pra psicopata. Os assassinos em série, estupradores, torturadores (nefandi) são os vilões. Vai fazer terapia, pelamordedeus.

🔸Exijo o mínimo de cooperação. "Ah, mas meu personagem é um solitário, ele não trabalha com ninguém". Então vai jogar Diablo sozinho na tua casa. Se tu veio prum jogo em grupo, aprende a jogar em grupo, cacêta.

crônica O TEMPO QUE NOS É DADO - A Capela do Conselho

Então, essa crônica acabou pela metade (novidade), e esse creio que seja o último material que eu fiz e acabei não postando. É o salão da Capela do Conselho de Porto Alegre. Paredes de pedra cinza áspera, chão de pedra negra. Cortinas de veludo roxo, mesa de madeira escura. O desenho no centro é um baixo relevo. A iluminação é fraca e o aroma lembra sala de teatro. Foi destruído no pogrom Tecnocrata em 2000, e reconstruído pelo novo conselho. As rachaduras foram mantidas, em memória daqueles que tombaram.


segunda-feira, 5 de setembro de 2022

crônica O TEMPO QUE NOS É DADO - o Conselho dos Nove - 1910

E, só por que o ano de 1910 vai ser importante para uma cena lá pelo meio da crônica, eu fiz o conselho daquela época. Mas creio que nem mesmo em flashback eles vão aparecer.


Eu usei "pardo" pra quem é descendente ao mesmo tempo de negros, brancos e indígenas. Eu queria uma bruxa cigana Verbena e uma benzedeira Eutanatos que representassem o povo da região. A umbanda oficialmente se organiza em 1908, mas tem origens na Cabula e na Macumba desde o século XIX.

Coloquei um Corista na cadeira de Mente, pois creio que a imigração do extremo oriente aqui no Rio Grande do Sul em 1910 era pouca e uma influência dupla de Coristas combina com o Brasil de 1910. 

Os Eteritas entraram para o Conselho em 1904, eu poderia colocar um aqui. Mas como eu dupliquei o poder dos Coristas, decidi duplicar os Herméticos também. Digamos que os Eteritas chegaram em São Paulo e Rio de Janeiro nessa época, mas no Rio Grande do sul apenas na década seguinte, okay? Eu não morro de amores por Herméticos e detesto Coristas, mas infelizmente ambos são a cara do sul do Brasil no início do século.

Nesse meu cenário os pobres, excluídos, destituídos são representados pelo Orador, Verbena e Eutanatos. Os demais são a elite. Os interesses desse padre é a elite e desse monge é a igreja. A Cultista, embora nascida em berço de ouro, tenta fazer o meio de campo, olha além de sua bolha.

Os Ahl-i-Batin só vão sair das Tradições nos anos 20, e o Rio Grande do sul já tinha muitos imigrantes de países do Oriente Médio. Os Vazios só vão se organizar, na Europa e América do Norte, nos anos 20. 


🔸Cadeira de Primórdio: Corista. Monge (cis, he/him, ace, branco)

🔸Cadeira de Mente: Corista. Padre (cis, he/him, ace, branco)

🔸Cadeira de Espírito: Orador. Quilombola umbandista (cis, he/him, hétero, negro)

🔸Cadeira de Matéria: Hermético. Engenheiro (cis, he/him, hétero, branco)

🔸Cadeira de Forças: Hermético. Estancieiro rico (cis, he/him, hétero, branco)

🔸Cadeira de Vida: Verbena. Cigana (cis, she/her, bi, parda)

🔸Cadeira de Correspondência: Batíni. Comerciante libanês (cis, he/him, hétero, branco)

🔸Cadeira de Tempo: Cultista. Herdeira e mecenas das artes (cis, she/him, lésbica, branca)

🔸Cadeira de Entropia: Eutanatos. Camponesa benzedeira idosa (cis, she/her, hétero, parda)


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crônica O TEMPO QUE NOS É DADO - o Conselho dos Nove - anos 90

Como o Conselho dos Nove dos anos 90, se aparecer, vai ser no máximo um curto flashback, não desenvolvi demais, nem fiz ilustrações.


Imaginei eles como mais conservadores, mais velhos, mais poderosos (arquimagos de Arete de 7 a 8), mais fechados, mais arrogantes e menos diversos. Mas não imagino eles como pessoas insuportáveis. Eles eram mais intransigentes nas suas ideias, mas ainda com boas intenções.

Eles foram mortos pela Tecnocracia no Pogrom de 1999.


🔸Primórdio / Corista: freira (cis, she/her, ace, branca)

🔸Mente / Akasha: professor de kung-fu (cis, he/him, hétero, asiático)

🔸Espírito / Oradora: mãe de santo, enfermeira aposentada (cis, she/her, hétero, negra)

🔸Matéria / Eterita: professor doutor em matemática (cis, he/him, hétero, branco)

🔸Forças / Hermético: professor doutor em história (cis, he/him, hétero, branco)

🔸Vida / Verbena: dona de restaurante (cis, she/her, bi, branca)

🔸Correspondência / Adepto: hacker (cis, he/him, gay, branco)

🔸Tempo / Cultista: produtora de eventos culturais (cis, she/her, bi, negra e indígena)

🔸Entropia / Eutanatos: legista (cis, he/him, hétero, branco)

 

Não participando oficialmente do conselho:

🔸Vazios: baterista numa banda de punk rock (cis, he/him, bi, branco)


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crônica O TEMPO QUE NOS É DADO - mais sobre Conselho de 2010

Para o Conselho dos Nove de 2010 eu coloquei dois Conselheiros negros (Akasha e Oradora), uma indígena (Eterita), um descendente de negros e indígenas (Corista) e uma descendente de asiáticos (Eutanatos). Os outros quatro são brancos. Um deles é descendente de árabes (Cultista), que poderia ser considerado "people of color" na América do Norte e Europa, mas esse conceito não se aplica aqui na América do Sul. Em relação a gêneros: 4 homens, 4 mulheres e um pessoa não binária que usa pronomes femininos (Adepta). Das mulheres, uma delas é trans (Oradora). Achei que foi uma representação boa pra 2010, quando movimentos sociais já estavam se projetando nas redes sociais e ganhando seu espaço. Mas não queria ignorar o conservadorismo gaúcho e progresso lento do ano de 2010, por isso pessoas cis e brancas ainda são a maioria.

Eu queria passar a ideia que esse recém fundado Conselho é composto por Magos relativamente novatos, cheios de boas intenções. Imaginei eles com Arete 5 e o Hermético com Arete 6. 

Um amigo meu leu essa lista e disse que gostou porque os personagens não são perfeitos. Eu gostei de ouvir isso, porque era exatamente a ideia que eu queria passar. O Hermético se diz hetero mas quer experimentar gays e trans "no sigilo". O Akasha e a Eutanatos tem uma relação não muito saudável, eu acho que eles deviam se separar e fazer terapia antes de tentarem um lance juntos. O Cultista continua correndo atrás do hetero curioso, ou sendo o "estepe" do bissexual.

Eu imagino que eles são uma equipe que se esforça pra trabalhar junto, e não querem cair no erro dos predecessores, mas as diferenças vão acabar aparecendo. Algumas ideias que eu tive sobre cada um (uns eu acabei desenvolvendo uns mais e outros menos):

🔸Corista: ao contrário do típico católico alienado politicamente, ele é engajado no Movimento Sem Terra, mas em relação a pessoas LGBT ele diz "o Uno ama todos os seus filhos, mesmo aqueles que, pelo comportamento, afastam-se de sua luz". Em relação aos pagãos: "eles lidam com artes perigosas que não deveriam ser manipuladas" (sangue, espírito, êxtase, etc), o que faz ele bater de frente com a Oradora, a Verbena e o Cultista.

🔸Akasha: os Akasha tem um histórico de não interferência. Ávido para ajudar pessoas, ele acaba sendo impulsivo. Ele teve um mestre capoeirista que o ensinou a controlar sua agressividade, agora ele segue lidando essa parte de si mesmo e procura ensinar o mesmo para seus alunos da periferia. Seu irmão foi morto por um Nefandi, então a vingança é mais uma peso que ele carrega. Ele não é exatamente machista com a Eutanatos (no sentido de misoginia), mas ele tende a ser superprotetor de um modo patriarcal com ela.

🔸Oradora: eu tenho uma tendência a gostar de Oradores e Verbenas, de religiões afrobrasileiras e bruxaria, então eu percebi que acabei retratando ambas como as pessoas mais sensatas daqui. Eu sei que vou precisar introduzir algumas características de personalidade para elas precisarem superar e crescer. Com certeza a Oradora teve que lutar muito na vida (contra racismo, transfobia e pobreza) pra chegar onde está, e essa luta deve ter deixado cicatrizes.

🔸Eterita: uma jovem doutoranda cheia de ideias. Ela já conseguiu vencer o machismo dos Eteritas e conseguiu seu lugar como uma indígena com mestrado na universidade. Os seus desafios atuais são: vencer a timidez e sair da "bolha acadêmica". Seu relacionamento com a Verbena está ajudando a ambas.

🔸Hermético: ele definitivamente não quer ser o típico Hermético de antigamente, arrogante e trancado na sua biblioteca, e até mesmo a Verbena e a Oradora reconhecem o seu esforço. Mas como um líder ainda jovem, ele tem que aprender a coordenar e delegar responsabilidades. Além disso, ele precisa parar de passar cantadas nos e nas colegas e sair do armário como bi duma vez.

🔸Verbena: já falei sobre ela no verbete da Oradora. Pensei em colocar uma subtrama dela caçando seguidores neonazistas de um ancestral dela, pra tocar o dedo nessa ferida.

🔸Adepta: uma hacker que perdeu a perna num ataque da Tecnocracia e usa uma prótese ciborgue. Ela já tem que lidar com o fato de que não gosta de manter contato com pessoas nem trabalhar em grupo, mas principalmente precisa lidar com o trauma e com o desejo de vingança.

🔸Cultista: como eu já falei, ele precisa melhorar sua auto estima, nem toda trepada vale a pena. Como eu gosto dos Cultistas, também fiz ele bem sensato. Mas, em termos de história, totalmente sensato é totalmente boring, né?

🔸Eutanatos: pra lidar com suas responsabilidades (ser médica, Conselheira e ter treinamento de assassina dos Cavaleiros de Radamanthys), ela precisa de muito autocontrole. Mas ela precisa relaxar e abrir a guarda, e aprender a fazer alianças com os colegas.



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VAMPIRO - IDADE DAS TREVAS - Conde de... Gringonneur.

Eu nunca escondi que eu não gosto de Vampiro A Máscara. Mas o Idade das Trevas... é maravilhoso! É uma vibe completamente diferente, e é uma delícia de tão mórbido e sombrio. 

E normalmente eu jogo de um jeito bem sério, mas... às vezes... eu tenho um chilique e faço um personagem zueiro. Tipo esse outro aqui.

Então, me convidaram pra jogar, e eu resolvi fazer um Tzimisce. Resolvi fazer um char COMPLETAMENTE INOVADOR. Ele é um conde. Romeno. Que está indo pra Inglaterra para alugar uma casa. E... hm... tem um medalhão com a pintura de sua amada que... morreu séculos atrás e... hm... o nome dele é... mmm... Drác-. Não! O nome eu decidi mudar. O nome dele é Conde... [pausa] Valdmiyr... [outra pausa] Glinglongleda Garastov Vlinvlonveda Vladvostok Yurik Bjornorik Polansky... [derradeira pausa] de Gringonneur. Com sotaque pseudo-romeno, obviamente.

O diabo é que, num cenário de vampiro medieval, quando os personagens estão se encontrando, e recebendo a quest do superior deles, e encontrando os NPCs, a coisa que mais acontece é alguém perguntar "quem é você?". Então cada vez, cada maldita vez, que os outros quatro personagens, um por um, me perguntava "quem é você?", eu respondia: "Meu nome é Conde... [pausa] Valdmiyr... [mais uma pausa] Glinglongleda Garastov Vlinvlonveda Vladvostok Yurik Bjornorik Polansky... [derradeira pausa] de Gringonneur". Cada maldito guarda, vigia, lacaio, ou outro vampiro, me perguntava "quem é você?", e eu respondia: "Meu nome é Conde... [pausa] Valdmiyr... [mais uma pausa] Glinglongleda Garastov Vlinvlonveda Vladvostok Yurik Bjornorik Polansky... [derradeira pausa] de Gringonneur". Chegou um ponto onde eu começava "Meu nome é Conde [pausa]..." e o pessoal já gritava "NÃO, MEU DEUS, DE NOVO NÃO!"

Depois da centésima trigésima nona vez eu decidi dizer parar de infernizar eles e monopolizar o jogo. Fiz  meu char pegar o cavalo e ir pra retaguarda, daí os outros jogadores ficavam na frente, e podiam ter a oportunidade de jogar. Quando alguém perguntava, na escuridão da noite, "quem vem lá?" ou "quem são vocês?", um dos jogadores que estavam na frente dizia bem rápido "NÓSSOMOSOBANDODOLORDEFULANO" olhando de canto de olho pra mim. "Ah ok, podem passar".

Mas é claro que eu arranjei um outro jeito de zuar. O Conde [vamos chamar ele assim pra eu não precisar digitar tudo de novo] tinha um bordão. 

Ele chegou numa fonte, no meio da cidade de York: "Pff, as fontes da Rrromênia tem menos limo que as fontes de Yorrrk." Ele chegou num prostíbulo e "Pff, as prostitutas da Rrromênia tem menos sífilis que as prostitutas de Yorrrk.". Ele tentou pagar alguma coisa com dinheiro Romeno, que não foi aceito, e: "Pff, o dinheiro da Rrromênia tem mais valor que o dinheiro de Yorrrk."

 

É só isso que eu me lembro. Fim.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

crônica O TEMPO QUE NOS É DADO - O Conselho dos Nove - 2010


Essa é a parte mais importante na hora de bolar uma mesa: 🍎QUEM TRANSOU COM QUEM🍎 no Conselho dos Nove (essa parte já estava pronta antes mesmo das fichas de cada NPC). Os jogadores não tem a mínima ideia do que eu vou escrever aqui.

Na ordem: Irmão Jonas (Coro Celestial), é padre da Pastoral da Terra ; Tubarão (Irmandade de Akasha), é professor de capoeira; Mãe Anaí (Oradores dos Sonhos), é esteticista e Mãe de Santo; Prof.ª Apoena, (Descendentes do Éter), é professora e doutoranda em Física; Velocino (Ordem de Hermes), é advogado e professor de direito; Tília (Verbena), tem uma pequena fazenda de agricultura orgânica; 4ngellus (Adeptos da Virtualidade), é desenvolvedora de jogos e hacker; Zaratustra (Culto ao Êxtase) é músico ; Dr Aimi (Eutanatos), é médica.

A história se passa em 2010, a propósito. Na minha mesa, decidi que o Conselho das Nove Tradições de Porto Alegre e região metropolitana se reergueu pela primeira vez nesse ano desde sua destruição em 1999. Então se passa após a 3ª edição, com as Tradições de reerguendo, tentando voltar ao status que tinham na época da 2ª edição.

🔸O Akasha (cis, he/him, bi, negro) e a Eutanatos (cis, she/her, hetero, asiática) tem um romance secreto tórrido. Eles se amam, brigam, se separam e voltam. Não é exatamente um exemplo de relação saudável pra ambos.

🔸A Verbena (cis, she/her, pan) e a Eterita (cis, she/her, lésbica, indígena) são amigas-com-benefícios. Como bônus, a Verbena cuida das plantinhas da Eterita e a Eterita conserta o painel solar da Verbena.

🔸O Hermético (cis, he/him, hetero "curioso", branco) tá afim da Eutanatos, e volta e meia convida ela pruns drinks. Ela sempre diz que tá ocupada.
 
🔸O Cultista (cis, he/him, pan, branco) e o Akasha já se pegaram. Quando o Akasha tá solteiro e solitário, eles voltam a se pegar. A Eutanatos sabe que o Akasha é bi, mas não sabe que ele pega o Cultista.

🔸O Cultista e a Oradora (trans, she/her, hetero, negra) já se pegaram. Eles no momento são apenas amigos.

🔸O Cultista já transou com a Verbena, mas broxou. Ela até hoje diz coisas como "querido, vamos algum dia desse continuar aquele assunto não terminado". Ninguém ao redor entende. O Cultista sai do recinto meio apressado.

🔸O Hermético já chupou o pau do Cultista, but "no homo". Ele absolutamente foge correndo da sala se o Cultista tenta tocar no assunto. O Cultista ainda insiste de vez em quando (a verdade é que ele não tem muita auto-estima, sabe?).

🔸O Hermético já meio que passou uma cantada na Oradora, mas ela ignorou. Ela tem muito respeito próprio e não quer ser apenas uma "experiência" prum "hetero curioso".

🔸A Eutanatos já transou com a Verbena. Ela achou uma experiência fascinante mas percebeu que gosta mesmo é de homens. Continuam amigas.

🔸A Adepta (enby, she/her, pan, demisex, branca) sabiamente acha melhor não transar com ninguém do trabalho. É a pessoa mais feliz do grupo.

🔸O Corista (cis, he/him, ace, negro e indígena) não sabe de nada disso que eu escrevi aqui e teria um pequeno chilique se soubesse.
 
 

hiato

Faz tempo que eu não posto aqui né? Então, as mesas de RPG estão pausadas, mas eu vou postar algumas coisas que aconteceram antes da pausa.



quarta-feira, 23 de março de 2022

one-shots

Jogar essas one-shots (ou às vezes two-shots) com esses sistemas novos (que não são Storyteller nem D&D) foram experiências bem legais. Os narradores explicavam as regras em 20 minutos (os sistemas contemporâneos tem regras simplificadas, como eu já falei). E a gente fazia personagens em uns 10 minutos. O resultado é que a relação jogador/personagem fica diferente. A gente não tem tanto apego ao boneco, experimenta mais na criação, e ousa mais na hora de jogar com eles. E as vezes a história acaba com a gente morto.🤭

Mas também é gostoso jogar crônicas do jeito tradicional, como aquela que durou três anos. A gente lave 1 semana pra fazer o char, ele fica mais complexo, a gente se apega mais, faz de tudo pra ele não morrer, etc etc.

domingo, 20 de março de 2022

crônica O TEMPO QUE NOS É DADO - segunda sessão - 3/3

Os jogadores são iniciantes, mas estão muito bons e  aprendendo rápido. E me corrigindo quando eu me atrapalho nas regras. Às vezes eles não fazem o teste ou a pergunta ou a ação que eu imaginava que seria a melhor. Às vezes eles fazem exatamente o que eu pensei. E às vezes eles inventam algo diferente e fica bem melhor. Então... eu acho que é assim mesmo, né? RPG = planejamento + improviso = diversão.

Agora a coisa MAIS ESTRANHA que aconteceu foi essa: a personagem Verbena é uma cartomante, ok? E o foco de entropia dela é um baralho cigano, ok? E o jogador, que sabe botar cartas, trouxe o baralho dele, ok? Quando a Verbena tirou a sorte antes de entrar na casa (Entropia 1: sentir destino e sorte), saíram três cartas... QUE TINHAM TUDO A VER COM A CENA QUE EU PLANEJEI FAZ MAIS DE MÊS!!! INCLUINDO A CHAVE QUE O LEÃO TEM NA BOCA! 👀

Segundo o jogador, que manja dos paranauê, a chave abre uma porta para algo novo (encontrar a Capela), o cardume é uma boa ventura (o Nodo e o Santuário) e o urso é amizade (encontrar Magos e formar a Cabala). Eu apenas adicionei que "toda oportunidade traz também um risco".  👀 👀


crônica O TEMPO QUE NOS É DADO - segunda sessão - 1/3

Hoje teve a segunda sessão da mesa de Mago a Ascensão que eu tô narrando chamada O Tempo Que Nos É Dado. E deu tudo certo. Foi a mesa pros personagens se encontrarem e explorarem uma casa abandonada. E de experimentarem mágikas sensoriais e testes simples. Lembrando que é a oportunidade tanto deles, que nunca jogaram Mago, experimentarem a mecânica de jogo e oportunidade minha, que nunca narrei Mago, de gerenciar essas rolagens.

Escolhi um terreno em Porto Alegre, e inseri uma casa de Pelotas que eu acho linda. Pros personagens se encontrarem, disse que todos estariam nas imediações da Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, e segui esse roteiro:

🔸Personagem 1, Verbena: Vê o espectro translúcido de uma moça com vestes da virada do século, caminhando direção a uma avenida específica. O jogador decide seguir o fantasma.

🔸Personagem 2,
Cultista: Faz semanas que têm sonhos repetidos com um rapaz e uma senhora desconhecidos, numa avenida, defronte um pátio abandonado. O jogador decide investigar e quando  chega na esquina ele vê flashes de como a cidade era há 100 anos atrás.

🔸Personagem 3, Adepto: Está no shopping usando seu laptop pra hackear alguma coisa. Quando o segurança começa a olhar pra ele com uma expressão suspeita o jogador decide sair do shopping por uma porta. Mas ele é misteriosamente teleportado para a porta oposta.

🔸
Encontro:
Os três personagens se encontram numa esquina, há uma certa confusão. A Verbena vê o espectro da moça seguindo até o pátio abandonado. O Cultista tem mais flashs com a cidade antiga. Eles acabam indo até a frente do portão do pátio. Seus avatares se manifestam, um fluxo de energia sai deles e atinge o portão. Um buraco na realidade é aberto, mostrando uma outra versão do pátio, onde é noite e as árvores estão mais exuberantes. Os personagens sentem uma fonte de quintessência lá dentro e o Cultista sente uma interferência temporal. Eles decidem entrar na fenda. Após entrarem, a brecha se fecha. Eles passam a explorar o local.

Imagem 1: Google Maps
Imagem 2 e 3: eu tirei essas fotos de uma casa defronte o Theatro Guarani, em Pelotas.


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crônica O TEMPO QUE NOS É DADO - segunda sessão - 2/3

Após o fechamento do portal, fica claro que eles estão presos nesse terreno, então eles decidem explorar. A casa está abandonada. Coloquei uma trilha sonora sombria.

🔸Quando chegam na sala o Cultista percebe que a interferência temporal diminui e uma cena do passado aparece para os jogadores. Quatro vultos de pessoas com vestes da virada do século, sendo um deles a moça que a Verbena seguia. Eles parecem estar arrumando a casa. Quando a moça olha para o Cultista ela fixa o olhar nele, pega um relógio de bolso, faz gestos com a mão, e a visão coletiva se dissipa, trazendo de novo a interferência temporal.

🔸A casa tem um longo corredor com nove cômodos, e são as únicas portas que os jogadores não conseguem abrir. O que eles acabam descobrindo é que cada cômodo tem uma barreira de correspondência que só vai permitir a entrada de um Mago da Tradição e Esfera corretos. Logo, eles conseguem abrir apenas três portas. Esses são os Santuários que eu prometi lá quando eles fizeram as suas fichas. Dentro de cada saleta há cama, roupeiro e escrivaninha e alguns objetos úteis. Por exemplo, no Santuário da Verbena tem vasos para plantas e frascos de boticário.

🔸
Há uma fonte de quintessência no porão. Esse é o Nodo que eu prometi. A entrada do porão é no meio da sala de jantar, num alçapão escondido pelo tapete. Lá embaixo tem um pequeno poço de pedra, repleto de água cristalina e que emite uma leve luminescência branca. Alguns cristais de quartzo crescem na parte interna do poço (sorvo).

🔸Há uma escultura de uma cabeça de leão na parede do porão. Similar à que está na entrada, mas mais bem esculpida. Está faltando os olhos e a chave na boca.

A sessão até aqui durou 3h30 e todo mundo inclusive eu estávamos exaustos (quando eu tinha 20 anos a gente jogava muito mais e ainda não queria parar /risos/). O fechamento foi:

🔸
Os jogadores estavam falando com seus Avatares, cada um em seu Santuário e foram interrompidos por barulhos estranhos vindo do porão. Lá dentro eles se deparam com uma aranha gigante, do tamanho de um frigobar. Ela aparentemente é feita de metal cromado ou espelhos, tem 10 patas e um par de dentes, todas as extremidades pontiagudas. Cliffhanger, continua na próxima sessão.


Eu não entrei quase em pânico dessa vez /risos/. Mas teve algumas coisas que eu planejei e me esqueci, como por exemplo teias de aranha que pareciam fios de nylon (feitas pela aranha gigante cromada) que vibravam como cordas de piano. E a visão dos moradores do passado devia ter sido para quando o Cultista usou Tempo pela primeira vez, mas eu me esqueci e inseri ela como visão coletiva. Sei lá, de repente ficou melhor assim. Eu jurei que ia dar tempo de fazer a cena de luta com o aranhão também, mas teve que ficar pra próxima sessão. Isso tudo pode parecer bem óbvio pra quem é narrador experiente, mas eu tô colocando aqui nesse diário porque eu tô aprendendo on the go a desenvolver uma noção de ritmo.

Imagem 1, 2 e 4: eu que fiz
Imagem 3: cenário do jogo Layers of Fear

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segunda-feira, 14 de março de 2022

sobre sistemas

Se eu tivesse mais conhecimento e experiência sobre o assunto eu até escreveria um artigo sobre isso. Eu tenho percebido umas tendências nos sistemas de RPGs relacionadas às décadas que foram criados.

🔸D&D é um jogo dos anos 70, derivado de tabletop wargames, e nele há uma ênfase em regras de combate e as fichas são bem complexas. Outros jogos da época seguem esse paradigma. Outro exemplo: GURPS.

🔸Storyteller surgiu nos anos 90, é mais voltado pra interpretação do que para números e a ficha é mais simplificada. Outros jogos dessa época têm vibe semelhante. Outro exemplo: Castelo Falkenstein.

🔸Jogos como Abismo Infinito, Terra Devastada, Numenera, A Pilha (The Pool), Déloyal e Esse Corpo Mortal são todos pós-2000, e têm em comum fichas ainda mais reduzidas. Nem sequer têm uma lista de atributos, o jogador determina palavras ou frases que servem como habilidades.

Eu fui criado com os jogos dos anos 90 e tô amando de descobrir esses jogos pós-2000. É TÃO MAIS GOSTOSO jogar com um sistema simplificado. Dá mais espaço pra se dedicar pra interpretação, conflitos, cenário.

terça-feira, 8 de março de 2022

LAZARUS & BLACKSTAR - DAVID BOWIE

Obviamente por falar sobre morte e, principalmente, transcendência, usei essas duas músicas do último disco do David Bowie como fonte para o meu primeiro personagem Eutanatos. Como, no mundo real, Bowie orbitou entre oculstimo, hermeticismo, kaballah, mágica do caos, hedonismo, paganismo, gnosticismo, budismo e tantas outras coisas, eu determinei, no histórico do meu personagem, que, no jogo, ele era, ao que parece, um adormecido, mas Cultistas do Êxtase, Eutanatos e Herméticos discituam que ele era um provável acólito.

LAZARUS - DAVID BOWIE

 

Look up here, I'm in heaven
I've got scars that can't be seen

I've got drama, can't be stolen

Everybody knows me now


Look up here, man, I'm in danger

I've got nothing left to lose

I'm so high it makes my brain whirl

Dropped my cell phone down below

Ain't that just like me?

By the time I got to New York

I was living like a king

There I'd used up all my money

I was looking for your ass

This way or no way

You know, I'll be free

Just like that bluebird

Now, ain't that just like me?

Oh, I'll be free

Just like that bluebird

Oh, I'll be free

Ain't that just like me?


BLACKSTAR - DAVID BOWIE

 
 
In the villa of Ormen, in the villa of Ormen

Stands a solitary candle, ah ah, ah ah
In the centre of it all, in the centre of it all
Your eyes

On the day of execution, on the day of execution

Only women kneel and smile, ah ah, ah ah
At the center of it all, at the center of it all
Your eyes
Your eyes
Ah ah ah
Ah ah ah

In the villa of Ormen, in the villa of Ormen

Stands a solitary candle, ah-ah, ah-ah
At the center of it all, at the center of it all
Your eyes
Your eyes
Ah ah ah

Something happened on the day he died

Spirit rose a metre then stepped aside
Somebody else took his place, and bravely cried
(I'm a blackstar, I'm a blackstar)

How many times does an angel fall?

How many people lie instead of talking tall?
He trod on sacred ground, he cried loud into the crowd
(I'm a blackstar, I'm a blackstar, I'm not a gangster)

I can't answer why (I'm a blackstar)

Just go with me (I'm not a filmstar)
I'ma take you home (I'm a blackstar)
Take your passport and shoes (I'm not a popstar)
And your sedatives, boo (I'm a blackstar)
You're a flash in the pan (I'm not a marvel star)
I'm the great I Am (I'm a blackstar)

I'm a blackstar, way up, oh honey, I've got game

I see right, so wide, so open-hearted it's pain
I want eagles in my daydreams, diamonds in my eyes
(I'm a blackstar, I'm a blackstar)

Something happened on the day he died

Spirit rose a metre then stepped aside
Somebody else took his place, and bravely cried
(I'm a blackstar, I'm a star star, I'm a blackstar)

I can't answer why (I'm not a gangster)

But I can tell you how (I'm not a flam star)
We were born upside-down (I'm a star star)
Born the wrong way 'round (I'm not a white star)
(I'm a blackstar)
('m not a gangster)
(I'm a blackstar, I'm a blackstar)

In the villa of Ormen stands a solitary candle

Ah ah, ah ah
At the centre of it all, your eyes

On the day of execution, only women kneel and smile

Ah ah, ah ah
At the centre of it all, your eyes
Your eyes
Ah ah ah

CANTIGAS DE AMIGO - MARTIN CODAX

Um pouco antes da crônica de Mago A Cruzada dos Feiticeiros, que se passava em Portugal na Renascença, e cujo tema era "amores impossíveis", eu acabei achando essas três deliciosas Cantigas de Amigo, compostas pelo maravilhoso e misterioso Martin Codax.

QUANTAS SABEDES AMAR AMIGO (Cantiga de Amigo V) - Martín Codax (S. XIII/XIV)


Quantas sabedes amar amigo

treydes comig' a lo mar de Vigo:

E banhar-nos-emos nas ondas! 

Quantas sabedes amar amado
treydes comig' a lo mar levado:
E banhar-nos-emos nas ondas! 

Treydes comig' a lo mar de Vigo
e veeremo' lo meu amigo:
E banhar-nos-emos nas ondas! 

Treydes comig' a lo mar levado
e veeremo' lo meu amado:
E banhar-nos-emos nas ondas!

AY DEUS, SE SAB' ORA MEU AMIGO (Cantiga de Amigo IV) - Martín Codax (S. XIII/XIV)

Ay Deus, se sab' ora meu amigo
com' eu senheyra estou en Vigo!
E vou namorada! 

Ay Deus, se sab' ora meu amado
com' eu en Vigo senheyra manho!
E vou namorada! 

Com' eu senheyra estou en Vigo,
e nulhas gardas non ey comigo!
E vou namorada!

Com' eu en Vigo senheyra manho,
e nulhas gardas migo non trago!
E vou namorada!  

E nulhas gardas non ey comigo,
ergas meus olhos que choran migo!
E vou namorada! 

E nulhas gardas migo non trago
ergas meus olhos que choran ambos!
E vou namorada!

ONDAS DO MAR DE VIGO (Cantiga de Amigo I) - Martín Codax (S. XIII / XIV)


Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo?
E ay Deus, se verrá cedo!  

Ondas do mar levado,
se vistes meu amado?
E ay Deus, se verrá cedo! 

Se vistes meu amigo,
o por que eu sospiro?
E ay Deus, se verrá cedo! 

Se vistes meu amado,
por que ey gran coydado?
E ay Deus, se verrá cedo!

AERIALS & ARTO - SOAD

Aqui é meu espaço pra ser fanboy então vou aproveitar e colocar algumas músicas que eu acho que tem muito a ver com Mago: A Ascensão. Essa música fala da condição humana e me faz pensar em reencaranações, no Despertar, na Guerra da Ascensão, no (Frágil) Caminho do mago...
Descobri recentemente que a faixa bônus (Arto), que parece uma canção tribal, é uma citação a um hino religioso armênio, o que dá um toque multicultural e pós-moderno, que se encaixa tão bem no cenário do jogo.

AERIALS & ARTO - SYSTEM OF A DOWN

 

Life is a waterfall
We're one in the river
And one again after the fall
Swimming through the void, we hear the word
We lose ourselves, but we find it all

'Cause we are the ones that want to play
Always want to go, but you never want to stay
And we are the ones that want to choose
Always want to play but you never want to lose

Aerials in the sky
When you lose small mind, you free your life

Life is a waterfall

We drink from the river
Then we turn around and put up our walls
Swimming through the void, we hear the word
We lose ourselves, but we find it all

'Cause we are the ones that want to play

Always want to go, but you never want to stay
And we are the ones that want to choose
Always want to play but you never want to lose

Aerials in the sky

When you lose small mind, you free your life
Aerials, so up high
When you free your eyes, eternal prize
Aerials in the sky
When you lose small mind, you free your life
Aerials, so up high
When you free your eyes, eternal prize

domingo, 6 de março de 2022

A cruzada dos amantes 7/7: a maldição

Quando os Três Deuses foram chamados até o vale, na aurora da manhã seguinte, haviam três cadáveres numa poça de sangue. O casal e mais um homem. Ao que parece alguém do clã do rapaz matou a moça para impedir o casamento e o noivo efetuou sua vingança, mas acabou ferido mortalmente.

Os Três Deuses estavam irados. Mas após algum debate o Deus do Fogo e da Guerra disse "de que adianta puni-los, eles são seres inferiores e vão continuar fazendo o que seres inferiores fazem..." Mas o Deus das Estrelas e da Agricultura: "Eles nos desobedeceram, eles precisam ser punidos, ou os demais não irão mais nos respeitar!" O Deus da Rocha e da Ferramenta sugeriu: "E se lançássemos uma maldição? Todas suas ferramentas irão quebrar a não ser que eles aprendam a respeitar as liberdade de seus semelhantes?"

O narrador lembrou que nós tínhamos domínio total das Esferas que nossos personagens tinham na história principal, mas se não tivéssemos Vida, por exemplo, não poderíamos usá-la. Eu perguntei: "Amor é uma questão de mente... ou espírito?". O narrador: "Boa pergunta! Haha"

E o Deus das Estrelas e Agricultura disse: "Vamos mover cada aldeão para um local diferente do planeta (Correspondência)... e colocar em suas almas (Espírito), o desejo de se reencontrar com sua alma gêmea".O Deus da Rocha e Ferramenta disse: "Vamos rachar o chão para dificultar que eles se encontrem (Matéria)". E o Deus do Fogo e da Guerra disse: "E vamos fazer a lava empurrar os continentes para que eles se afastem (Forças)".


E o narrador terminou dizendo: "e essa foi a lenda de quando os Três Deuses... condenaram a humanidade ao amor."

A gente ficou uns instantes em silêncio. Eu disse: "putaquiparil, o que a gente acabou de fazer?!?!"


Imagem 1: Romeu e Julieta
Imagem 2: Pangea

 

  PS: essa foi outra crônica que não teve finalização.

 

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A cruzada dos amantes 6/7: os deuses

Num determinado momento na história nossos personagens se perderam na Umbra. Encontramos lá um lugar mágiko e... o narrador nos fez voltar no tempo. Nós vivenciamos uma vida passada... talvez até mesmo a nossa primeira encarnação... como Oráculos, ou talvez os Puros!
Nós três (Mestre Celestial, Hermético e Solificati) éramos três deuses, vivendo no topo de uma montanha. Nós eramos deuses... ou Despertos tão poderosos que fomos cultuados como deuses? Antes de responder, pense: tem diferença? De qualquer modo, éramos as divindades que protegiam e ensinavam uma tribo pré-histórica. Ela era chamada de A Primeira Tribo.

O narrador perguntou: "que deuses vocês são?". Eu respondi: "Urkayin é um cartógrafo e usa a esfera da Conexão... ele vai ser o Deus das Estrelas e da Agricultura, e vai ensinar a tribo ler o céu pra plantarem na estação propícia." O jogador que fazia o Hermético disse "Meu personagem é um estudioso que usa Matéria, ele vai ser o Deus da Rocha e da Ferramenta e vai ensinar as pessoas a fazerem ferramentas". Por fim, o jogador que fazia o Solificati: "Eu jogo com um alquimista que usa Forças, ele vai ser o Deus do Fogo e da Guerra".

O sacerdote, que era a conexão entre nós e os aldeões, veio nos comunicar que um rapaz e uma moça de famílias rivais estavam querendo se casar. O Deus do Fogo e da Guerra: "Porque vocês nos importunam com seus problemas sem importância?!". O Deus das Estrelas e da Agricultura: "Irmão, é nossa obrigação zelar pelos nossos filhos..." O Deus da Rocha e da Ferramenta: "Sacerdote, nos tragam os jovens e as famílias."

Os jovens não queriam os casamentos arranjados que seus clãs aprovaram. Queriam ficar juntos, um com o outro, até o fim de suas vidas. As famílias argumentavam "casamento não diz respeito a desejo, diz respeito a fazer o que o clã diz que é certo!", "Eu nunca irei ver meu filho se casar com alguém dessa família, os antepassados deles roubaram ovelhas do meu antepassado!"

O Deus do Fogo e da Guerra: "Isso é uma perda de tempo, eu poderia incinerar vocês!". E incinera um tronco. O Deus da Rocha e da Ferramenta apenas observa, pensativo. O Deus das Estrelas e da Agricultura: "Por que vocês não querem que esses jovens fiquem juntos? É natural que o lobo e a loba queiram ficar juntos, procriem e tenham filhos. Que as plantas gerem flores e as flores gerem frutos. É assim que a vida persevera. "

O Deus da Rocha e da Ferramenta dá a idéia de que, se as famílias não querem ver os jovens como um casal, os jovem devem ir para outro vale, fundar uma nova tribo. O Deus das Estrelas e da Agricultura diz que eles poderão levar quaisquer membros da tribo que queiram acompanhá-los, e que os Três Deuses irão ajudar a nova tribo a plantar, fazer ferramentas e fogueiras da mesma forma que fazem com a tribo original. O Deus do Fogo e da Guerra também dá sua benção.

Tudo parecia muito bem... até a manhã seguinte.

 

Imagem: Stonehenge

 

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sábado, 5 de março de 2022

A cruzada dos amantes 5/7: a crônica

Como falei antes, o narrador nos tinha dito que a crônica girava em torno do tema "amores impossíveis" (e foi por isso que eu coloquei dois amores impossíveis no histórico do pobre do Urkayn: o amor entre os pais dele e o amor dele pelo viajante bissexual.

Urkayn (um Mestre Celestial da Ordem da Razão), um Hermético e um Solificati (ambos do Conselho das Nove Tradições), foram contratados através de terceiros pelo príncipe de Portugal Pedro I (não o nosso, um outro) para proteger sua amante Inês de Castro. Se vocês não sabem como essa história real terminou, leiam aqui e aqui.

Como em 1300 os Dedaleanos e os Magos ainda não eram inimigos mortais, mas antagonistas com diferentes projetos de mundo, foi de boas o convívio dos personagens.

Já que eu era o jogador mais experiente, o narrador pediu pra que o meu personagem explicasse algumas coisas aos outros, dentro da ação do jogo e o resultado foi divertido, tipo um mago Tradicionalista perguntando abertamente "qual é seu Daimon?" e o Dedaleano ficando vermelho porque admitir ter um é tabu.


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A cruzada dos amantes 3/7: O despertar do Urso

Um dos diplomatas que o recebeu, em nome da amizade que teve com seu pai, lhe ofereceu um trabalho como estivador numa oficina de construção de navios. Ali ele teria um ofício, comida e um teto. Urkayin ficou imensamente agradecido.

Numa noite, após carregar todas as caixas no porão de um navio, Urkayin desabou de sono ali mesmo. Quando acordou, o navio já havia zarpado. Ele subiu ao convés, em pânico, preparando para implorar perdão, imaginando que seria despedido ou jogado ao mar.

Mas o que viu foi surpreendente: o navio não estava navegando no mar, ele voava pelos céus, preso num balão! O firmamento era uma abóboda cravejada de luzeiros que formavam os desenhos das constelações, entre elas Ursa Major, que olhou para ele e conversou com ele!

Este navio era uma Nau do Céu dos Mestres Celestiais, uma das convenções da Ordem da Razão e a convenção a qual seu falecido pai pertencia. Urkayn havia acabado de despertar. O capitão desejava castigar e expulsar o clandestino, mas o amigo de seu pai o convenceu a aceitarem-no, pois almas Despertas são raras e sem acompanhamento ele poderia cair nas garras dos bruxos das Tradições.


Imagem: ilustração interna do livro Mago a Cruzada dos Feiticeiros


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